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Conceito x Tendência: o que deve sobressair na hora de criar um projeto?

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Matéria publicada originalmente em 21 de fevereiro de 2017 (Foto: Reprodução/DCon).

Imagine você no início da carreira. Primeiros trabalhos, experiências e ideias. Como não possui ainda todo o conhecimento referencial relacionado à área, acessa sites com conteúdo de seu interesse para poder se aprimorar e iniciar a carreira de designer.

Nos últimos anos, as listas de tendências das técnicas aplicadas no design e publicidade se tornaram populares em sites de conteúdo relacionados à criatividade. Inclusive, no fim de fevereiro, publicamos uma lista de Tendências de logos e tipografia para 2017.

Se por um lado ter o conhecimento do que é mais aplicado em grandes projetos pode mostrar o cenário do design, por outro, uma discussão tem sido feita na área: as tendências devem guiar os projetos? Estas listas agregam conhecimento para os designers iniciantes?

Conversamos com três profissionais da área para saber qual é a opinião deles a respeito do assunto. E a resposta foi unânime: tendências podem ser guias, mas não regras para projetos de design.

“A tendência é um estilo momentâneo, mas não é uma regra. Tudo irá depender do seu público e das suas necessidades”, diz Willian Amphilóquio, formado em design, com habilitação em programação visual.

Ele conta que, na verdade, o projeto irá depender do público e das suas necessidades. Ou seja, a construção de um caminho coerente entre o produto e o cliente.

“O designer às vezes é muito orgulhoso e acredita que é ele quem deve definir tudo sozinho e decidir pelo cliente e/ou pelo público. Mas as coisas nem sempre são dessa forma, por isso, é necessário se adaptar e entender muito bem para quem você está projetando.”

Willian ainda afirma que os princípios para a construção de um produto são quase sempre os mesmos – eles evoluem, claro –, mas o estilo adotado, não. “Teste sempre, e esteja preparado para as mudanças”, diz.

+ Leia: 20 tendências para o design em 2017

É o que acredita também o artista gráfico Morandini. Ele conta que a velocidade com que a comunicação e as trocas de informação acontece hoje faz com que surjam e desapareçam tendências no mesmo ritmo.

“O que é ‘in’ agora pode estar ultrapassado em questão de dias. Atrelar o projeto às reais necessidades do cliente e, ainda mais importante, direcionar o design ao público a que se destina confere a ele uma maior legitimidade e um ‘prazo de validade’ maior pois estará comprometido com a essência e não com uma moda estética efêmera.”

"Material Design" é uma das técnicas em alta do Web Design.

“Material Design” é uma das técnicas em alta do Web Design.

Entretanto, há exceções. Morandini afirma que podem haver casos em que o projeto realizado para um determinado evento tenha uma temporalidade e demande de uma abordagem tão específica e propositadamente efêmera quanto uma certa tendência estética ou cultural.

Um exemplo que pode ser utilizado desse tipo de aplicação é o evento Gampi, realizado em outubro do ano passado, com um conceito futurístico que era tendência na época.

Evento de design é exemplo de como tendência pode ser aplicada (Foto: Reprodução).

Evento de design é exemplo de como tendência pode ser aplicada (Foto: Reprodução).

Quem está no ambiente acadêmico também acredita na ideia de que tendências podem contribuir, mas não são uma regra aos trabalhos, como é o caso do acadêmico de design, Gianlucca Segatto.

“Muitos desses projetos parecem ter sido feitos de designer pra designer, sabe. Não são verdadeiramente funcionais, apenas impressionam por tomarem receitas que já demonstraram o mesmo efeito”, critica.

Para a melhor elaboração de projetos, algumas ideias de Dieter Rams são referência na área e podem ajudar você a tirar essas dúvidas:

10 princípios para um bom design, segundo Dieter Rams

(Foto: Reprodução).

(Foto: Reprodução).

Inovador
As possibilidades para inovar não pode ser esgotadas. O desenvolvimento tecnológico sempre estará oferecendo novas oportunidades para um design inovador. O design criativo se desenvolve em paralelo com o aprimoramento da tecnologia e não ser um fim em si mesmo.

Torna o produto útil
Um produto nasce para ser útil. Ele não tem que satisfazer apenas a funcionalidade, mas também a critérios psicológicos e estéticos. O bom design enfatiza a utilidade de um produto e descarta qualquer coisa que vai contra.

É estético
A qualidade estética de um produto compõe com a utilidade porque eles estarão presente no cotidiano das pessoas, por isso, podem afetá-las no seu bem-estar. Apenas objetos bem executados podem ser bonitos.

Torna o produto compreensível
Deixa claro como é a estrutura do produto. Além disso, faz com que o produto expresse como funciona, fazendo o usuário o utilizar intuitivamente. Outra hipótese é o objeto ser autoexplicativo.

Não é obstrutivo
Produtos que são criados para um propósito são como ferramentas. Não são objetos decorativos nem peças de arte. Neutro e restrito, ele abre caminho para que o usuário o utilize.

Honesto
Ele não faz um produto mais inovador, poderoso ou valioso do que realmente é. Ele não tenta manipular o usuário com promessas que não pode cumprir.

Durável
Ele evita ser fashion, para nunca parecer ultrapassado. Ao contrário do design de moda, pode durar muitos anos, mesmo com as rápidas mudanças da sociedade atualmente.

É meticuloso até o último detalhe
Não há nada nele arbitrário ou deixado por acaso. Cuidado e precisão no processo de design mostra respeito com o consumidor.

(Foto: Reprodução).

(Foto: Reprodução).

Amigável ao meio ambiente
O design faz importante contribuição para preservação do meio ambiente. Ele conserva recursos e minimiza poluição física e visual durante todo o seu ciclo de vida útil.

É o mínimo design possível
Mínimo, mas melhor, porque se concentra nos aspectos essenciais sem se sobrecarregar com os não essenciais. Se volta para a pureza e para a simplicidade

Dicas de referências

É bom compreender que nem tudo que está no Behance ou Dribble são projetos de qualidade – mesmo aqueles que são certificados pelas plataformas. Isso é o que acredita Diego Maldonado, tipógrafo, type designer e co-apresentador do canal DiaCrítico.

Diego conta que uma boa dica para elaborar projetos é observar soluções feitas para necessidades parecidas às que você tem. Além disso, é uma forma de fazer com que seus trabalhos se tornem mais autênticos.

Outra dica dada pelo tipógrafo é observar a história mais antiga do design, mesmo com as mudanças de plataformas.

“Conceitualmente layout é layout, tipografia é tipografia e design é design”.

Alguns livros que existem em português e estão na biblioteca pessoal do profissional podem ser úteis em projetos, entre eles:

 Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil, Chico Homem de Melo e Elaine Ramos [org.] (Cosac Naify);

Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil, Chico Homem de Melo e Elaine Ramos [org.] (Cosac Naify).

Construção e desconstrução do Grid, Timothy Samara (Cosac Naify);

Construção e desconstrução do Grid, Timothy Samara (Cosac Naify).

Sistemas de grelhas, Josef Müller Brockmann (Gustavo Gilli);

Sistemas de grelhas, Josef Müller Brockmann (Gustavo Gilli).

Elementos do Estilo Tipográfico, Robert Bringhurst (Cosac Naify);

Elementos do Estilo Tipográfico, Robert Bringhurst (Cosac Naify).

 

Novo projeto tipográfico, Claudio Rocha (Rosari) e Tipos para tela, Ellen Lupton [org.] (Gustavo Gilli).

Novo projeto tipográfico, Claudio Rocha (Rosari) e Tipos para tela, Ellen Lupton [org.] (Gustavo Gilli).

A Cosac Naify é uma editora que fechou as portas em 2015, por isso é bom garantir os livros antes que esgotem.

Uma última dica dita pelo profissional é ficar atento às referências indiretas ao seu projeto. “Às vezes a coleção de uma marca de moda, aquele arquiteto dos anos 50, aquele pôster de filme dos anos 30, aquela obra do Renascimento ou mesmo a pixação no muro perto da sua casa pode trazer algo interessante, por exemplo”, conclui.

Tem alguma sugestão de pauta? Envie para gente pelo e-mail redação@designconceitual.com.br

 

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