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Entrevistas

Proporção Áurea, premiação e mercado: entrevista com Pedro Panetto

Designer de produto pela Universidade Vila Velha, mas atuante no design gráfico, Pedro Panetto aos seus 26 anos recebeu no último 18 de abril seu primeiro prêmio como designer, na A’ Design Award & Competition.

O projeto premiado foi o redesign da marca Publicitários Criativos, lançada no ano passado e que teve grande repercussão nas redes sociais.

Conversamos com ele sobre sua trajetória acadêmica e profissional e os desafios em uma situação econômica como a que o Brasil passa atualmente. Confira a entrevista:

Quando e como iniciou seu interesse pelo design?
Começou quando eu li a descrição do curso na faculdade e me identifiquei com isso. Antes de pesquisar uma faculdade para estudar, eu não fazia a mínima ideia sobre o que era o design. Então foi basicamente isso, precisava fazer uma faculdade e parecia ter a ver comigo, graças a Deus deu tudo certo.

Como foi sua experiência na graduação e como você chegou à especialidade de Proporção Áurea?
A graduação foi ótima, aprendi muito e sinto muitas saudades da faculdade, era um ambiente muito bom. Só era ruim ter de pegar um ônibus de duas horas para ir e duas horas para voltar todos os dias (risos).

Proporção Áurea (Foto: Divulgação/Instagram).

Meu primeiro contato com a Proporção Áurea foi logo no começo da faculdade quando um professor, o Sérgio, disse logo no primeiro semestre: “Quando vocês estudarem a geometria gráfica, aproveitem muito o assunto sobre Proporção Áurea, aproveitem.”

Bom, eu levei a sério, aprendi algumas coisas básicas na graduação e no meu TCC eu decidi fazer o projeto aplicando a Proporção Áurea.

Meu TCC foi focado em produtos, eu escolhi projetar uma aeronave leve de treinamento, então tive diversos aspectos do projeto que pude usar a Proporção de modos variados. E foi assim que tudo começou.

Como foi a sua inserção no mercado após a graduação?
Terrível, não encontrei nada em relação ao design de produtos, é uma área muito pequena no país. Com o tempo migrei para o gráfico, e depois de muita luta as coisas foram se acertando.

Qual sua visão do mercado do design brasileiro? E como tem sido a sua experiência em meio à situação da economia do país?
A profissão do designer não costuma ser uma área que dê muito dinheiro, além disso, o mercado brasileiro em si é bem complicado, acredito que para o designer ter algum sucesso ele precisa estar sempre se reinventando e se valorizando.

Com a crise me vieram muitas dificuldades, em 2015 foi terrível, os projetos desapareceram. 2016 foi ruim também, mas menos pior. 2017 ainda não está um paraíso, mas tenho a impressão que a economia está voltando a se recuperar.

Em nossa área não tem jeito, somos refém da situação econômica, em crises as primeiras coisas a serem cortadas são os investimentos em design. O que é uma burrice, mas o mercado não tem conhecimento real do design, a maioria das pessoas o interpreta como algo superficial.

Atualmente, o que é preciso para que o mercado do design tenha mais valorização na sua opinião?
Nós precisamos nos apoiar mais. Ser mais solidários um com os outros, melhorar no que entregamos como projeto, e cobrar mais por isso.

Como você tem lidado na transição entre a presença da profissão no físico para o digital? Digo em relação à presença nas redes sociais do Pedro Panetto como marca, além de como você tem tido novas oportunidade de trabalhos.
Hoje em dia tem sido tudo digital, eu nem costumo pegar clientes na região onde moro. E é um desafio muito grande gerenciar uma marca pessoal, eu demorei muito a me educar sobre isso. É um trabalho constante, e sempre tem alguém te observando no aspecto pessoal e misturando isso à sua imagem profissional, é bem complexo de administrar. Mas apesar do trabalho e desafios, graças a Deus, tem dado certo para mim.

Ano passado você criou o logotipo do site Publicitários Criativos, que teve grande repercussão. Como foi lidar com as críticas (construtivas, positivas e negativas) em nível nacional nas redes sociais? Foi sua primeira experiência nesse alcance?

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Eu já estava preparado, todo redesign é acompanhando de uma tonelada de críticas, todo mundo aparece com mil opiniões sobre como poderia ter ficado melhor, etc. De um lado tinha pessoas chamando o projeto de genial e do outro chamando de horrível. Fora a espera já por isso, com 3 anos produzindo conteúdo para o Youtube eu já estava acostumado a lidar com pressões, então foi bem tranquilo e muito bom para falar a verdade.

Eu só me surpreendi com uns níveis baixos que vi em umas críticas, não digo em relação as pessoas que me xingaram ou xingaram o projeto gratuitamente, isso eu ignoro com facilidade. Mas a surpresa foi com as teorias que umas pessoas inventaram para atacar, isso me mostrou um nível muito baixo de conhecimento entre alguns designers que produzem conteúdo e tentam dizer como devem ser as coisas.

O interessante que ao contrário da perspectiva negativa desses pseudo especialistas, pouco tempo depois a curadoria do Behance deu um destaque para esse projeto, e agora ele acabou de ser premiado no A’Design Awards and Competition.

Como você se sente ter conquistado uma premiação como esta?

Foi ótimo, é uma sensação muito gratificante no meio de muitas expectativas. Não sei dizer o que representa exatamente para mim, é difícil de definir, entendo como mais um motivo para agradecer a Deus e mais uma fonte de motivação para o meu trabalho.

Cite-nos referências no design para você e/ou um projeto recente que você considera referência.
Admiro muito o trabalho de Stefan Sagmeister, por sua forma nada convencional. Gosto muito de Mark Newson. Alexandre Wollner é alguém que eu gostaria muito de conhecer e acompanho seu trabalho faz tempo. Gosto do trabalho de Chermayeff & Geismar. Escher é uma inspiração que tenho desde a adolescência também. São os primeiros nomes que me vem a cabeça.

Eu pessoalmente gosto muito de pessoas talentosas.

Sinto muita satisfação em conhecer alguém que se dedica de coração a alguma coisa e que conquista um nível alto pelo seu esforço. Isso é o que me faz respeitar uma pessoa e sentir interesse por ela.

Além desses grandes nomes, vejo muitos designers com trabalhos incríveis todos os dias, não daria para lembrar de todos os nomes, mas ver essa constante melhoria no mercado é algo que me inspira e agrada também.

Como você vê o futuro da profissão? A tecnologia deve ocupar ainda mais o lugar do designer ou será auxiliar na sua opinião?
Para mim o design está mais relacionado ao pensamento, a metodologia de projeto do que às ferramentas. Os designers de verdade não serão prejudicados, acredito, mas quem trabalha apenas como artista gráfico corre mais riscos.

Para finalizar, quais são seus próximos projetos?
Atualmente tenho dedicado bastante tempo ao meu curso de Proporção Áurea, e fora isso tenho projetado apenas marcas. Em breve publicarei umas novas.

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E essa foi nossa entrevista com o Pedro Panetto, desejamos sucesso a ele na carreira.

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