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Identidade visual dos super-heróis

Na era da Marvel e recentemente DC, é impossível não falarmos de super-heróis, eles estão em todos os lugares, desde as tradicionais revistas em quadrinhos até os gigantescos outdoors de divulgação.

Muitas pessoas desconhecem, mas as gigantes dos quadrinhos desenvolveram suas narrativas com propósitos sociais relevantes, e com interferências do estado. Talvez o exemplo mais próximo seja o Capitão América. Herói patriota criado em 1941 por  Joe Simon Jack Kirby. Analisando os fatos históricos,veremos que no mesmo ano os Estados Unidos foram bombardeados, mais especificamente em Pearl Harbour. Após esse ataque, o pais entrou para o eixo dos aliados (Inglaterra, França, Rússia).

“A mudança social provoca mudanças nas histórias em quadrinhos, especialmente na esfera dos super-heróis”. Nildo Viana, doutor em sociologia.

A entrada dos EUA na guerra abriu espaço para um novo editorial nos quadrinhos, heróis combatendo problemas reais, mais especificamente Hitler. É comum, analisando as capas do período encontrarmos o Capitão América com uma postura poderosa e heroica destruindo soldados alemães.

O Capitão América não foi o primeiro super-herói a estar nas prateleiras, afinal, anos antes o Superman já era conhecido do grande público (1938), mas a sua publicação marcou um avanço na construção de personagem, diferente do que já tinha no mercado, ele era emocionalmente profundo e sua personalidade complexa, com dilemas e conflitos comuns, que qualquer leitor poderia identificar-se.

Agora, temos um homem comum transformando-se em um soldado superdotado de poderes, mas principalmente, tomado por um desejo patriota imenso de defender seu pais e aqueles que ama. Muito propício, não?

Ao olharmos atentamente a capa da #1 de Capitão América, poderemos notar dois objetivos claros, que transpassavam os desejos simples de uma publicação do gênero, e evidenciam um objetivo maior que um simples editorial.

Na capa vemos claramente o herói combatendo o vilão global, Adolf Hitler. Parece ao acaso a construção, mas se analisarmos detalhadamente perceberemos que o personagem representa o EUA e todos os valores que a nação prega, não é à toa que o personagem também é conhecido como sentinela da liberdade.

Estamos falando de uma nação sendo representada por um herói, e seus valores e objetivos sendo evidenciados ao público de forma didática, em outras palavras, o capitão América patriota, líder nato, dotado de toda força, pureza, justiça e perseverança transmitia para cada americano que os Estados Unidos eram como o Capitão América, e se você pode acreditar e lutar por ele, pode fazer o mesmo pelo seu pais.

Na mão direita o Capitão empunha seu escudo, defendendo-se de uma bala atirada por um soldado Nazista (Isso fica claro pela suástica presente no braço do soldado ao fundo). O mundo estava com medo, a guerra tinha tomado proporções catastróficas, a sociedade estava tomada por um espírito de instabilidade e desconfiança.

Acima de tudo, o Capitão sempre é visto como um homem justo, honesto e protetor, um verdadeiro defensor da sua nação. Ele carrega seu escudo para dar as pessoas esperança de que existe alguém que protege os seus e a sua nação. É possível acreditar na nação, porque existem soldados justos e protetores como Steve.

Muitos quadrinhos nasceram de uma realidade próxima a essa, seja um discurso social importante ou ainda, uma interferência do estado nas publicações.

Agora, contextualização histórica a parte, o visual dos personagens e até mesmo seus logos passaram por diversos redesigns ao longo dos anos.

O primeiro logo do Superman usado atualmente nos filmes produzidos pela Warner é visualmente mais trabalhado do que o originalmente concebido, mas é interessante que o conceito se manteve intacto. Em quase todas as 25 versões já desenvolvidas a presença do escudo e do “S” no meio foi mantida, com exceção da aplicação feita na série Smallville de 2002.

Não podemos falar de evolução de personagem sem citar a mais recente aposta da DC, Mulher Maravilha, Wonder Woman no original. A personagem surgiu no mesmo ano do Capitão América, na leva de personagens patriotas, é inevitável não notar o calção azul com estrelas brancas e a gigantesca águia em seu peito.

Diferente da personagem que temos hoje, a primeira versão da heroína trajava um short pouco acima dos joelhos, e mesmo assim, na época os quadrinhos foram banidos de diversos países por imoralidades, ou seja, pela personagem não estar devidamente vestida.

No geral, os quadrinhos ajudaram a aumentar o nacionalismo do EUA, e principalmente, espalhar para o mundo os valores americanos durante o êxodo cultura. Muitos dos valores que compartilhamos ou da visão que temos a respeito da América deve-se as histórias de justiceiros que trabalham para o bem de sua nação.

 

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