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O design é o presente e futuro do jornalismo

(Foto: Reprodução).

O mundo evoluiu e, com ele, novas tecnologias surgiram para estar mais presente no cotidiano das pessoas. Nos últimos cinco anos, com a ascensão das redes sem fio e da popularização dos smartphones, isso fez com que também os hábitos e as relações dos seres humanos mudassem.

A group of executives standing in line and looking at their smartphones

Entretanto, estas mudanças começaram a acontecer antes mesmo do mundo digital ser acessível ao público em geral, consequentemente alterando a rotina e o formato do jornalismo. Podemos relembrar já pelo processo de impressão, inventado por Johannes Gutemberg, no século 19. No início, a importância da disposição de notícias, assim como o design e elementos visuais não tinham tanta relevância, mas sim, apenas a mensagem a ser transmitida.

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Base de inserção de linotipos na era do jornalismo industrial (Foto: Reprodução).

O tempo passou, e com os jornais já em circulação por um bom tempo, foi a hora de fazer uma reflexão e se atentar à maneira como aquele produto poderia ser melhorado visualmente. No Brasil, assim como nos outros países, o processo de impressão passou a ser colorido (CMYK), se revolucionou e chegou até o atual processo de offset. Junto com ele, vieram novos recursos visuais, valorização da fotografia e infográficos.

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(Foto: Reprodução).

Assim como no processo do jornal impresso, creio que o processo de evolução na internet aconteceu pelo mesmo caminho. Isso é visível se compararmos uma tela de uma notícia dos anos 90 com uma de hoje. A linguagem, que antes era apenas HTML passou ao CSS, Flash e agora ao HTML5, linguagem utilizada nos especiais multimídia de grandes veículos de comunicação.

Com 20 anos dos meios digitais no Brasil, é evidente o avanço no jornalismo brasileiro em relação a produtos feitos neste meio, principalmente depois de 2014. Até 2013, era difícil encontrar materiais tão bem produzidos como podemos ver hoje, isso não leva em consideração a questão do conteúdo, que muitas vezes, perde muito em relação à qualidade visual dos produtos.

De 2005 até os dias até hoje, as redações passaram pela transição do impresso ao digital. Foram anos de experimentações e técnicas, mas, sobretudo, um tempo de quebra de tabus, como o de que leitor da internet não fica muito tempo consumindo um conteúdo em frente ao computador. Os especiais multimídias estão aí para isso.

Recentemente, o Design Conceitual também apostou neste formato e publicou o primeiro especial multimídia do Brasil sobre a área do design, em um formato long form.

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A evolução deste setor nas redações cresceu tanto que diagramadores deram lugar a programadores, por exemplo. No Brasil, temos o exemplo do jornal Zero Hora. O veículo, atualmente, possui muito mais material online do que a versão impressa.

Especiais do jornal Zero Hora.

Especiais do jornal Zero Hora (Foto: Reprodução/Zero Hora).

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Enquanto isso, no jornal Estado de São Paulo, uma editoria com profissionais da área criativa produz frequentemente produtos inovadores. E, nisso, o design tem auxiliado muito o jornalismo a explicar ao leitor temas complexos de maneiras mais didáticas e inovadores por meio do avanço da tecnologia.

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(Foto: Reprodução).

Com esses exemplos, podemos concluir então que a evolução da tecnologia, assim como a lógica de evolução do impresso, proporcionou um avanço da qualidade de conteúdo. E mais, acredito que, com esse novo passo na criação de produtos jornalísticos, além da popularização das ferramentas de design gratuitas, isso se torne algo comum na internet, para que assim, essa técnica saia do patamar de uma “revolução” para um patamar de “normalidade”.

Não será o fim do jornalismo, será apenas a extensão do que por muito tempo foi feito no impresso. Isso fará com que o jornalismo e design superem ainda mais a crise de formatos herdados do jornalismo tradicional ou industrial do século passado. Isso acontecerá com ainda mais tecnologia, interatividade e informação ao leitor.

As duas áreas devem caminhar juntas, ambas em transformações para um novo cenário de superação de modelos vistos até aqui.

Eduardo de Moura, editor do Design Conceitual

 

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