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Design thinking não é design!

"uma visão equivocada do design como algo rápido, fácil, supérfluo e que pode ser praticado por qualquer um, sem a orientação de um designer em todo o ciclo do design".

O design thinking (DT) invadiu o mundo. De alguns anos para cá, surgiu uma contaminação viral bacteriológica  (digna de filme apocalíptico de zombies) de design thinking. Essa nova onda criativa – inovadora (?) invadiu empresas e famosas escolas de negócios no mundo inteiro. Até grandes empresas mundiais de design não foram poupadas, e agora são obrigadas a ser especialistas em DT ou pelo menos, anunciar isso publicamente para não perder mercado.

E surgem questões absurdas como: “Você é só designer? Não serve, eu preciso de um designer especializado em design thinking”

E da noite para o dia, todos são design-thinkers/co-designers e assim o DT virou sinônimo de design, com a ideia generalizada e errada que, dominando o DT você entende e realiza o processo de design completo.

Mas design thinking por si só não é design!
DT é só uma parte do processo total do design, que de maneira muito breve, podemos dizer que, é composto de ideias-soluções criativas + ação concreta do designer, para se materializar num produto,serviço, experiência para o mercado.

O DT apenas serve para gerar ideias criativas, sem a ação concreta, não tem sentido, já que não levará ao resultado final desejado.

Também é importante ter um designer no processo total do design para alcançar o resultado necessário. Já tenho visto capacitações de DT onde posteriormente não há um designer, mas um empresário capacitado em Design Thinking levando o processo de design adiante dentro da empresa para alcançar a tão sonhada inovação!

O lado negativo do DT
Hoje em dia, as empresas querem rapidamente soluções inovadoras e a baixo custo, e parece ser que, de alguma maneira, o DT preencheu essa lacuna, onde em algumas sessões semanais a empresa tem a solução que precisa. Assim, o processo caro, complexo e demorado do design, transformou-se com o DT num processo barato, rápido e sem maiores complexidades.

Acredito que muitas empresas e escolas estão com essa visão equivocada que DT é o pacote de design completo(do cliente ao mercado), onde há essa percepção de que apenas um brainstorming criativo de uma tarde resolverá todos os problemas e complexidades da empresa.

Sendo assim, há uma visão equivocada do design no mercado como algo rápido, fácil, supérfluo e que pode ser praticado por qualquer um, sem a orientação de um designer em todo o ciclo do design.

A aplicação do DT também leva a outra questão: Todos os participantes são co-designers?
A participação de outros co-criadores (e não co-designers, por favor!) é bem-vinda e muito necessária no design, mas apenas o designer tem a experiência-conhecimento para filtrar e transformar esses insights no resultado final desejado. Não se pode deixar na mão dos participantes a decisão final do design, transferir o design para os co-criadores, enfraquecendo o designer e a sua proposta final. Essa decisão final deve ser feita junta com o designer, que escolherá as melhores propostas e as levará adiante sempre com a participação de todas as partes.

Por isso, é muito importante esclarecer o papel dos participantes e do Design Thinking antes de começar uma consultoria de DT, não oferecê-lo como um pacote fechado de todo o processo de design e que, resolverá milagrosamente numa tarde super criativa todos os problemas que a empresa possa ter. O DT indica o longo caminho a seguir e é apenas o começo.

O lado positivo do DT
Não sou contra a popularização do DT  pelo mundo; pelo contrário, já que a técnica levou a um maior entendimento, certo ou errado, do design e da sua a popularização mundial nas escolas e empresas, mas, principalmente, nas empresas onde com a técnica começaram a perceber a importância do design para a sua sobrevivência no mercado global.

O design ganhou uma visibilidade sem precedentes na sua história com o DT, para além de centenas de livros, conferências e artigos sobre o tema. Indiscutivelmente, há mais design no mundo por causa do DT, e isso é muito positivo e necessário.

O ponto fundamental deste artigo é que ambos, DT e design, sejam entendidos e aplicados corretamente. Mas acredito que é vital para o designer e para a empresa esclarecer-se sempre o que é o DT dentro do processo de Design, e dizer aos interessados que os procedimentos da técnica por si só não é design, e não resolverá as necessidades ou problemas existentes se usado isoladamente; Para isso, é e será preciso ter um designer e trabalhar todo o ciclo do design junto com outros profissionais.

Acredito que assim, haverá um benefício e aproveitamento ainda maior e real do Design no mundo.

Qual é a sua opinião do DT? Você acredita que tem beneficiado ou prejudicado o Design dependendo de como é entendido e administrado?

Vida longa ao Design Thinking, mas o que virá depois?

Portal  do designer Marcio Dupont

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As opiniões expressas no artigo são de responsabilidade do autor!

 

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