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“Design & Materiais 2017”: a relação entre as áreas em três dias de evento

Integrantes da mesa-redonda que trouxe as principais discussões do primeiro dia (Foto: Reprodução/Mestrado UNIVILLE).

Qual a relação entre design e materiais? Durante os dias 11 e 14 de junho essa conexão no campo acadêmico e de trabalho foi discutida no II Congresso Internacional Design & Materiais, que ocorreu na Universidade da Região de Joinville (Univille).

Na edição deste ano, o Congresso contou com representantes da área do design, engenharia e química, entre eles: Ricardo Triska (UFSC), Wilson Kindlein (UFRGS), Micol Costi (Politecnico di Milano), Dr. Fabiano André Trein (Fetec/Unisinos), Dr. Everton Amaral da Silva (UFRGS), Dr. Antônio Eduardo Martinelli (Fetec/Unisinos), Sebastiana Lana (UEMG) e outros profissionais da área.

Participamos de seções do evento e trazemos os principais assuntos discutidos nelas pelos profissionais da área. As informações desta página são atualizadas conforme ocorre o evento.

Interdisciplinariedade das áreas
Design e Materiais (cursos voltados à química, engenharia e arquitetura) devem e irão cada vez mais estar convergentes nos próximos anos. Isso porque, para os profissionais designers, é de suma importância ter o conhecimento dos tipos existentes de materiais e como aplicá-los nos projetos desenvolvidos.

Outra mensagem também destacada foi que o material deve ser apropriado por designers e os mesmos devem ter o conhecimento de que há importância no cotidiano profissional.

Sustentabilidade
A sustentabilidade já é conhecida em eixos específicos do design. Com isso, a relação entre design e materiais deve, ainda mais nos próximos anos, ser norteador de projetos  é a sustentabilidade.

Nessa linha de pesquisa e atuação, Bruno Temer, sócio-fundador da agência Matéria Brasil, designer pela ESDI-RJ, engenheiro ambiental e mestre na área de Engenharia de materiais e processos produtivos, ressaltou a importância do design como ponte entre o produto e o consumidor, além de mencionar a importância da consciência no consumo neste processo.

“Hoje o grande desafio é comportamental. A sustentabilidade está muito distante da ação do homem”, afirma.

Bruno Temer durante fala no evento (Foto: Reprodução).

Em meio a uma sociedade considerada imediatista por Bruno, ele comenta que, no atual mercado, é “uma pena” (sic) que ainda seja necessário o argumento de importância financeira para inovação.

Temer também ressaltou os principais pontos da economia circular, que na visão dele, não se trata de reciclagem, mas das etapas antes da mesma. Por isso, ressaltou: “Devemos pensar sim, como designers, em produtos que sejam duráveis, reaproveitáveis, remanufaturados, e fazer o possível para que continuem durando”, disse.

O vídeo completo da participação do profissional está disponível na página oficial do evento:

Lúcio Ventania, um dos principais representantes do movimento de popularização do uso do bambu no Brasil e também coordenador do programa “Desenvolvimento do Ciclo do Bambu no Brasil”, trouxe ao evento a importância e as possibilidades que o bambu, material que pode ser encontrado com facilidade no Brasil, pode trazer à criação de projetos. Ele ainda destacou os meios que o material pode se inserir como material de inovação e sustentabilidade.

Lúcio Ventania, precursor do bambu no Brasil, no “Design & Materiais” (Foto: Reprodução/Mestrado em Design Univille).

Inovação e ensino
Em meio a um cenário de redução de investimentos destinados à pesquisa e ao ensino no país, outro fator que está presente nos modelos das universidades deveriam ser baseados na inovação, segundo o engenheiro e professor Dr. Wilson Kindlein.

“É preciso testar e ter o conhecimento de que materiais/equipamentos podem vir a estragar no meio do processo por causa das tentativas. É a partir daí que surge a inovação”, disse.

Outro ponto apontado entre a relação de design e materiais foi pelo professor Ricardo Triska (UFSC) sobre a importância da inserção dos materiais na carreira de design: “Aluno de design que não sai com uma impressora 3D, sai falho. Hoje em dia até com fio de nylon é possível criar projeto”, afirmou.

Inovação e ciência
Therezinha Novais mencionou a importância e qualidade do campo da ciência, entretanto, disse que isso não tem sido reconhecido e/ou utilizado para que isto traga retornos à sociedade pelo governo brasileiro.

Indústria 4.0
A palestra internacional “Innovate Material Solutions Empowery Industry 4.0”, ministrada por Micol Costi, graduada em desenho industrial de produto na Alemanha, trouxe o conceito de Indústria 4.0, termo que engloba algumas tecnologias para automação e troca de dados, além de utilizar conceitos de Sistemas ciber-físicos, Internet das Coisas e Computação em Nuvem.

Micol Costi durante a palestra na segunda-feira (12) (Foto: Reprodução).

Em sua concepção, este tipo de indústria tem evoluído rapidamente, fazendo assim com que haja transformações nos tipos de produtos. Um dos exemplos que ficarão mais recorrentes na área, segundo Costi, será a utilização de impressoras 3D para produtos personalizados.

Capacitação na área do design
No último dia, durante a mesa redonda “Materiais Experimentais e Inovadores”, a falta de capacitação eficaz na área para atender as demandas do mercado foi mencionada. Para que isto aconteça, deverá ter um processo de colaboração/trabalho entre universidades e o mercado.

Nela, participaram o prof. Dr. João Sobral, o designer português Paulo Bago D’uva, o professor da UFRGS, Dr. Everton Amaral, Fabiano André Trein, pós-doutorando no Núcleo de Design e Sustentabilidade da UFPR e doutor em Qualidade Ambiental pela Univesidade Feevale (RS) e Thiago G. Silva, representante da Whirlpool LatinAmerica.

Outras palestras também ocorreram durante o evento com dados mais técnicos. A programação e fotos você confere na página oficial do Facebook do evento.

Os trabalhos publicados e apresentados durante o evento estão disponíveis no anal do evento.

 

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