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O design e a comunicação como forma de crítica

Como tem sido a sua atitude diante do público?  Você tem um posicionamento que mostre valor ao design?

Há muitos séculos a arte é utilizada pelos seres humanos como forma de expressão cultural, sentimental ou de uma experiência de vida. Por muitas vezes, as representações feitas por este meio são desvalorizadas pela sociedade por considerarem trabalhos da área meras expressões sem sentido ou até mesmo brincadeiras.

Este cenário é muito comum na área criativa (design e publicidade). Quantas vezes você já não escutou que era somente uma arte ou que poderia fazer em poucos minutos?

Com isso, muitos profissionais da área chegam a ficar desanimados devido a essa falta de seriedade de clientes com os trabalhos e talvez esquecem o valor da comunicação por meio do design. É nesta hora que entra a nossa missão de como podemos mudar esse cenário.

Como tem sido a sua atitude diante do público? Você tem um posicionamento que mostre valor ao design? Você já elaborou projetos que quebram este senso comum de que design é algo fútil?

Penso que todas as áreas da comunicação em geral possuem força para mudar o cenário de desvalorização visto desde a produção de conteúdo, em marketing e jornalismo, até o design e a publicidade.

Mas como fazer minha parte? É realmente válido criar projetos que tragam novas discussões à área?

Acredito que sim, principalmente com a popularização das redes atualmente, em que não é necessariamente uma divulgação física de projetos paralelos. A disseminação nas redes podem ser um grande aliado, principalmente quando se trata de um projeto bem estruturado e que traga uma discussão.

Um exemplo que mostra a força da comunicação, assim como da arte e do design, é o clipe “Chained To The Rhythm”, em português, “Acorrentados pelo ritmo”. Lançado nesta semana no Youtube.

Observando pelo nome da cantora e o estilo de música, você pode pensar que se trata de apenas mais um projeto sem conceito e que traz repetições de clipes do gênero. Entretanto, o trabalho vai muito além disso.

O clipe traz um conceito claro de crítica aos atuais modelos de sociedade de forma indireta e faz o espectador refletir sobre o assunto por meio de um produto bem elaborado.

No caso do clipe, dirigido por Mathew Cullen e produzido por Danny Lockwood, Rob Newman, Ben Leiser & Javier Jaminez. Isso mostra como pensamentos podem ser disseminados de diferentes formas, inclusive pelo entretenimento.

No atual modelo de divulgação de singles, geralmente dois projetos são divulgados no Youtube. O primeiro traz um vídeo, sem a presença do cantor e de forma mais artística. Na música da cantora americana, o projeto mostra um hamster que tem o objetivo de emagrecer, mas que continua mantendo os mesmos hábitos de alimentação.

O vídeo já passou dos 33 milhões de visualizações e rendeu diversos artigos na internet, repercutindo as críticas feitas pela cantora de forma indireta.

O clipe oficial, divulgado esta semana, traz a mesma mensagem do lyrics, mas com uma mensagem bem mais ácida, que trazem referências da sociedade, além de mensagens secundárias.

Após uma disputada eleição americana em novembro do ano passado, a cantora traz assuntos que vêm à tona devido a propostas feitas pelo presidente americano Donald Trump. Por isso, estas questões são abordadas também na letra da música:

Estamos loucos?
Vivendo nossas vidas através de uma lente
Presos em nossa cerca branca de madeira
Como ornamentos
Tão confortáveis, estamos vivendo em uma bolha, bolha
Tão confortáveis, não conseguimos enxergar o problema, problema

Você não é solitário?
Aí em cima na utopia
Onde nada jamais será suficiente
Alegremente entorpecido
Tão confortáveis, estamos vivendo em uma bolha, bolha
Tão confortáveis, não conseguimos enxergar o problema, problema

(Aah)
Então coloque seus óculos cor-de-rosa
E festeje

Aumente o som, é a sua música favorita
Dance, dance, dance com a distorção
Aumente o som, coloque para repetir
Tropeçando por aí como um zumbi bêbado

Sim, pensamos que somos livres
Beba, essa é por minha conta
Estamos todos acorrentados ao ritmo
Ao ritmo, ao ritmo

Agora imagine: uma letra crítica, com um conceito forte de clipe, uma ótima direção de arte e filmagem. Qual o impacto que estas ideias têm na sociedade?

Por isso, mais importante que disseminar ideias, você deve refletir qual o tipo de ideia você está repercutindo. No caso da cantora, podemos listar algumas das situações vividas atualmente e que estão ligadas não somente ao cenário político, mas também a questões que influenciam na criação:

Oblivia

Bem-vindos ao “Oblivia”, em latim esquecimento, convida o letreiro do parque.

A-crítica-por-meio-das-telas

O uso e alienação das redes.

Hiroshima

Sim, o formato deste algodão é em referência ao atentado de Hiroshima, inclusive, repare nas pessoas que entregam à cantora o doce.

Psicologia-das-Cores-Katy-Perry

Discussão da utilização das cores para cada tipo de gênero. Isso influencia a discussão da psicologia das cores. Como as cores têm sido vista pelos seres humanos. Será que o padrão não mudou nos últimos tempos?

Katy-Perry-estrangeiros

A limitação de entrada de estrangeiro nos Estados Unidos.

Katy-Perry-Machismo

A desvalorização da mulher em relação ao homem.

O clipe completo você pode conferir aqui:

Se em quatro minutos, a artista, o designer e produtor responsáveis conseguem transmitir tantas mensagens que contradizem padrões da sociedade, você ainda acredita que a área criativa não pode fazer mudanças de forma indireta e até direta?

Essa é uma questão que devemos levar a nossos trabalhos: como estou lidando com quais valores por meio da profissão? Estou transmitindo valores que agregam à sociedade ou fazendo trabalhos fúteis? Deixo esta reflexão a vocês e que a cada dia possamos agregar não somente conhecimento à carreira, mas para que a profissão tenha o real valor que merece trazendo discussões que influenciam no cotidiano.

* A opinião do autor não reflete necessariamente o posicionamento do Design Conceitual.

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