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Design

Seu logotipo é visto por todos? Mas quem não enxerga, como o vê?

Branding e design
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(Fotos: Reprodução).

Ei, você! Gestor de marcas, designer gráfico, profissional de Naming, Branding

Você já conhece todos os processos para criar um logotipo bem conciso visualmente, que tenha um conceito bacana, que tenha história, significados…

Tenho certeza que às vezes você já apelou pra mitologias ou abriu dicionários malucos com palavras que ninguém lembra que existe, mas que carregam significados. E aí, quando o logo não é tipográfico, quando ele possui algum símbolo, vamos fazer uma proposta visual bonitona e atraente! Qualquer um que bater o olho vai perceber que é uma marca confiável, um símbolo gráfico robusto, assinatura visual impactante ou qualquer outro conceito que você quer passar, certo?

Não estou fazendo nenhuma pegadinha. Isso acontece no processo criativo de logotipos. Na verdade, em qualquer processo de design. Designers têm isso, sabe? De querer fazer com que as coisas sejam bonitas. Mas será que você já parou pra pensar que muitas pessoas não vão literalmente VER seu logotipo?

Isso não é recente. De acordo com o Censo 2010 de pessoa com deficiência, quase 25% da população brasileira possui pelo menos um tipo de deficiência, sendo aproximadamente 5% pessoas com deficiência visual.

Você vai me falar que pessoas com deficiência visual não é seu público alvo? Imagino que poucas vezes, ao especificar seu público, você ou o cliente colocaram “Pessoas com deficiência visual”. E é aqui que mora o problema, pois essas pessoas ainda são pessoas, são consumidores em potencial. Imagine que tudo o que você estudou para estruturar um logotipo visualmente se torna inútil para uma pessoa cega. Tudo por um simples motivo:

A preocupação geralmente é unicamente com o visual do logo, mas não com o acesso dele por outros meios que não o visual.

Entenda que não estou falando de branding sonoro. Não estou falando do plim plim da Globo, nem da musiquinha do McDonald’s. A questão é: considerando que você tenha feito um logotipo com símbolo (e não puramente tipográfico), como fazer com que pessoas cegas ou com baixa visão consigam entender o que está representado visualmente?

Todos conhecem esses logotipos? Mas e quem nunca os viu, contentam-se apenas com a forma escrita ou falada? Descrição da imagem #PraCegoVer: Logotipos de Starbucks (Sereia inscrita em um círculo verde); Shell (Concha vermelha e amarela); Nike (Risco preto simples semelhante ao sinal de certo); Apple (Desenho de uma maçã mordida); Wolkswagen (Letras V e W empilhadas dentro de um círculo azul).

Por exemplo, você já parou pra pensar que provavelmente muitas pessoas cegas não sabem que o logo da Starbucks é uma sereia inscrita em um círculo verde? Ou o logotipo das Olímpiadas do Rio 2016 que é tão complexo, como explicar essas formas para uma pessoa cega? E aí o resultado seria apenas deixá-los alheios à forma e manter a identidade sonora do logo?

Em um mundo cada vez mais digital é preciso entender que não são apenas pessoas videntes que utilizam a internet; marcas são para pessoas, para todas as pessoas. Não parece justo deixar pessoas com deficiência visual alheias ao que sua assinatura visual está comunicando, mesmo que seja um desenho, um logo. É preciso entender formas de transmitir histórias por mais de uma via. Se tem imagem, deve ter um texto explicativo. Nem todos veem imagens.


Esta foi uma provocação. O mundo muda, tecnologias mudam. É preciso mudar junto com o mundo para continuar sendo relevante. Procurem tirar do texto insights incríveis para seus projetos! 😉

*Artigo escrito por Caio Miranda. 

 

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