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Mercado

O designer elefante branco

O artigo de hoje seria diferente, mas diante de um fato bastante interessante que ocorreu esta semana, achei conveniente falar sobre outra coisa. Um seguidor da minha página me chamou in box com uma pergunta inédita até então. Mesmo eu falando constantemente sobre o assunto, ainda que não muito frisado, fiquei surpreso e até feliz pelo questionamento. Ele veio falar sobre cursos para aprender 3D, dizendo já ter feito outros de Photoshop, Illustrator, etc. Não havia muitas dúvidas acerca de qual curso fazer, até mesmo porque eu o indiquei alguns, mas sua pergunta foi a seguinte: “vejo tanta coisa linda, bem feita, complexa, mas fico me perguntando: como vou transformar isso em renda?”.

Quando um profissional se questiona dessa forma, a ponto de ligar tudo que aprende no âmbito de sua profissão ao retorno financeiro que poderá ter, seja a curto, ou preferencialmente, a longo prazo, está pensando como um empreendedor e começando a trilhar o caminho do crescimento, buscando formas que irão agregar valor ao seu trabalho e fazê-lo ter uma receita maior através disso.

Diante do questionamento que ele fez, gostaria de falar, desta vez, de forma bem explícita e frisando bem o tema abordado. Mas o que seria o “designer elefante branco”? Seria aquele profissional de design que consegue fazer coisas incríveis em determinado software, na maioria das vezes, ultrapassando padrões de qualidade. Porém, são coisas aleatórias sem nenhuma funcionalidade direta naquilo que executa, e isso geralmente acontece porque ele ainda não definiu qual o objetivo dele como designer.

Apesar de ser “fodasticamente” bom em executar trabalhos aleatórios, com conhecimento profundo em diversas técnicas, ele não consegue mercado, seja por falta de boa postura profissional ou por falta de norte na hora de se colocar como profissional de algo específico. Desta forma, ele acaba sendo um profissional esplêndido, com qualidade até acima da média, mas sem clientes, sem trabalho e sem perspectiva de melhora. E isso é muito mais comum do que parece, e facilmente observado. Há 20 anos isso não existia muito, mas com a internet este efeito aumentou e chegou a escalas realmente largas.

Concept of creativity and power in business

Acredito que pelo menos 80% dos designers que conheço reclame da falta de demanda de trabalho. Desses 80%, pelo menos 40% são seduzidos por técnicas e programas aleatórios, sem muito objetivo e sem criar um prospecto de como aquilo irá ajudá-lo profissionalmente. Eis um dos grandes problemas de grande parte dos designers.

O primeiro passo para você se tornar um bom profissional liberal é saber aonde quer chegar, que público quer atender, que tipo de trabalho quer executar. Ainda que esteja começando, cobrando “barato”, isso é importante para que nada seja desperdiçado. Quando você não sabe exatamente o que deseja fazer e se apoia na ideia de que quanto mais coisas mirabolantes souber, mais terá um mercado – nesse caso, nem a própria pessoa sabe que mercado é – você entra em standby profissionalmente, passa a adquirir conhecimento sem objetivo, e no final torna-se um DESIGNER ELEFANTE BRANCO, cheio de conhecimento, mas sem demanda de clientes no mercado porque ainda não tem know-how para executar nada.

Mas um detalhe SÉRIO: não estou querendo dizer que você não deva estudar e aprender cada vez mais, muito pelo contrário. Aprender é algo que devemos fazer todos os dias, mas desde que seja algo útil que vá agregar em seu trabalho e te dar retorno, e para tal, você precisa saber o que deseja executar e onde pretende atuar. Não existe resultado positivo para quem não sabe o que é negativo. Claro, se você utiliza apenas como hobby, tudo bem! Nada do que disse serve para você, afinal, seu objetivo não é financeiro.

Muitos desses designers vêm até mim bastante deprimidos e desmotivados, dizendo que não sabem mais o que fazer. O grande problema é que grande parte deles também tem enorme soberba (desculpe a sinceridade), e percebo que seu ego está lá em cima, pois vivem criando artigos que chamam atenção de outros profissionais (artigos realmente lindos). E sua frustração é ainda maior por acharem que têm bastante conhecimento, mais do que de vários outros profissionais, entretanto não tem mercado.

frustração

É sedutor aprender certos truques e macetes de vez em quando. Eu mesmo adoro e sempre que posso, faço. E quando você busca esses truques para colocá-los em prática em trabalhos reais que tragam renda para você, aí sim é produtivo, só não pode perder o foco. Mas volto a falar que para isso é preciso saber o que quer de verdade. Tá certo que também amamos o que fazemos e por isso nos dedicamos de corpo e alma, mas a partir do momento que você decide executar algo como profissão, ainda que você ame fazer isso e não seja só pelo dinheiro, é necessário dar o melhor de si para ter retorno monetário. A menos que você não se importa com dinheiro, mas aí também não pode reclamar quando não recebe o devido valor.

Estudar é preciso, mas se você não coloca em prática o que estuda, está perdendo tempo e deixando de fazer algo relevante! O questionamento do profissional que veio até mim foi sensato e focado no resultado final. Ele entendeu que não basta fazer um milhão de coisas lindas se você não consegue fazer uma se quer para ter resultado financeiro.

Como disse o grande mestre Bruce Lee: “Não importa o que você sabe, mas sim o que você faz com o que sabe!”

Bom trabalho a todos.

Artigo escrito por Muca Vianna.

 

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