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Por que um logotipo não custa 300 reais?

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Por Morandini

A resposta mais direta poderia ser: porque ele vale muito mais do que isso! Mas a conta não é assim tão simples de ser fechada.

Quando alguém encomenda o projeto de uma marca gráfica*, presumimos que ela será utilizada para identificar uma empresa, um produto, um evento ou até mesmo uma pessoa. Imaginamos também que o objeto dessa identificação terá grande importância, caso contrário não haveria a necessidade desse projeto.

Ninguém cria uma empresa, um produto ou inicia uma carreira para que durem alguns poucos dias. Até mesmo eventos efêmeros podem (e devem) ficar eternizados como grandes experiências na mente de quem fez parte deles.

A marca gráfica — que será parte de toda uma identidade visual — deve cumprir diversos requisitos para que tenha funcionalidade, versatilidade, força, ineditismo e uma série de qualidades que estão fortemente ligadas a um projeto bem concebido e bem planejado.

E projetos bem concebidos e bem planejados consomem muita energia.
Muito tempo e muito estudo são investidos neles para que sua performance seja irretocável. Uma marca gráfica de excelência nunca será fruto de um lampejo criativo ou de um momento de inspiração. Ela é resultado de muito trabalho, pesquisa árdua, conhecimento profundo e infindáveis horas investidas no processo criativo.

Esse processo todo é algo muito maior do que ‘desenhar um logo’.
O know how de um designer pressupõe conhecimentos aprofundados de diversas disciplinas que culminarão com um produto funcional, autêntico, personalizado e que funcionará em todos os pontos de contato que aquela marca tiver com seu público. É um trabalho de enorme responsabilidade.

Essa soma de atributos gera custos e agrega valor.

Custos investidos em formação, pesquisas, estudo continuado, tecnologia, softwares, formalização da atividade profissional, despesas de manutenção do seu espaço de trabalho, atualização de equipamentos e um atendimento extremamente envolvido e comprometido.

Já o valor pode ser percebido na qualidade que permeia todo o processo, na excelência daquilo que foi entregue e principalmente na expressão e representatividade desta marca.

Valor é algo aparentemente difícil de ser mensurado mas sua aferição se dará quando a marca começar a ter seu desempenho constatado e a medida que ela vai conquistando espaço e se fixando na mente do seu público.

Seja um designer autônomo, um pequeno estúdio ou um escritório de porte, o design é um negócio como outro qualquer. Como tal, ele deve ser financeiramente saudável e proporcionar condições para oferecer resultados de alto nível. Essa roda toda, da qual fazem parte o designer e seus clientes, vai girar com muito mais força e vitalidade quando todos os fatores estiverem equilibrados e em harmonia.

Precificar trabalhos de uma maneira consciente, utilizando critérios estudados e avaliados com todo cuidado tem um papel tão fundamental quanto o eixo dessa roda.

De todos os envolvidos, o cliente, que investiu na qualidade do desenvolvimento daquela marca, é o grande beneficiado.

Claro que é possível trabalhar enxugando os custos ao extremo, vivendo de maneira monástica ou até mesmo criando marcas em escala industrial, sem maiores cuidados. Esse é um direito legítimo de quem quiser agir assim. O mercado é livre e permite este modelo de negócio.

Apenas penso e trabalho de maneira diferente.

*Marca gráfica é o termo utilizado aqui no estúdio no lugar de logotipo ou da maneira considerada incorreta ‘logomarca’.

* A opinião do autor não reflete necessariamente o posicionamento do Design Conceitual.

 

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