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Mercado

Por que o “sobrinho” incomoda?

(Foto: Reprodução).

(Foto: Reprodução).

Por Muca Vianna

Um dos assuntos de maior polêmica e rebuliço quando o tema é design ou publicidade é o SOBRINHO. Estranho é que ainda existem pessoas que não entendem esse termo. Constantemente alguém me pergunta o que seria ou o por quê de chamá-los assim.

Sobrinho seria aquele designer amador que acha que é profissional. Para compensar seu trabalho ruim ele cobra um valor até 20 vezes menor do que o de um profissional de qualidade.

Chama-se assim pela frase antológica: “eu tenho um sobrinho que faz de graça”.

Mas aí você me pergunta: mas só por que o cara ainda não é profissional ele merece ser “zoado”? Não… muito pelo contrário! Na verdade, o sobrinho não é só aquele garoto que está aprendendo agora. Tem sobrinho com 10 anos de profissão, sobrinho de meia idade e até sobrinho de curso superior. O que determina o termo pejorativo é muito mais a forma com que ele se comporta do que da qualidade do trabalho em si. E na minha opinião, ninguém deve ser zoado!

Mas e aí, por que o sobrinho te incomoda?
Pelos quatro cantos da internet vemos pessoas com raiva porque “perderam clientes” para sobrinhos. Coloquei entre aspas porque eu sei que na grande maioria não é bem assim! Dizer que o sobrinho é responsável por eu ter poucos clientes e ganhar mal é o mesmo que a Ferrari protestar porque a Fiat fabrica Uno Fire! Ou seja, um está num campo totalmente diferente do outro. Na verdade, isso é uma transferência de culpa tremenda pela falta de visão de mercado que o designer possui.

Por mais que o sobrinho ache que é profissional, um cliente de potencial tem consciência que seu trabalho é limitado, logo, os que o procuram para pagar barato sem se importar com qualidade, não são os mesmos que procuram um freelancer bem conceituado que cobra 10 vezes o valor que ele cobrou.

São mercados distintos, e comparar um profissional de qualidade com um amador é falta de noção, principalmente quando o membro comparador é o “profissional de qualidade”. Para ser bem franco, o sobrinho só faz mal a ele mesmo, pois sem a menor ideia do que é o mercado publicitário, ele ficará estancado, nadando em círculos sem a menor perspectiva de crescimento.

via renato alves

Quando o designer chega ao ponto de achar que os sobrinhos são a causa do seu fracasso, é sinal de que ele passa por um momento de difícil entendimento da sua profissão, transferindo a culpa por não observar o mercado corretamente e não se dar bem. Neste caso, se você faz isso, me desculpe, mas você precisa rever todos os seus conceitos relacionados a profissão que executa. O mercado é para todos, e cabe a você “dançar conforme a música”.

Não adianta reclamar quando aquela mulher te pede para criar um logotipo para sua turma de formatura, mas ela acaba fazendo o serviço com algum “sobrinho”. Quando acontece isso, o cliente não tem escolha, e é fácil entender quando você se colocar no lugar dele.

O logotipo da turma de formatura é um artigo simbólico, que não trará lucro nem representará poderio de mercado, então não vale investir o montante que você cobrou, obrigando o cliente a procurar alguém que faz mais barato, e nem sempre este serviço é ruim, mas talvez ele tenha encontrado alguém que atendesse às expectativas em menor tempo e que achou viável cobrar um valor menor. Aí o designer que cobrou caro chama o que cobrou mais barato de sobrinho, mas talvez ele só tenha sido esperto em atender um cliente com um trabalho fácil de executar.

Sua postura no mercado é o que determina qual tipo de profissional você é. Quando você decide achar que o sobrinho tira seus clientes, é por que seus clientes estão vendo no sobrinho um trabalho como o seu, logo você precisa melhorá-lo, tanto em relacionamento quanto em técnicas, pois vamos concordar, sobrinho para ser sobrinho de verdade nem computador de qualidade pode ter!

Diante dessa situação, o que tenho para provar o que estou falando é citar os profissionais de qualidade que não se sentem incomodados pelos sobrinhos: Vinícius Araújo (VA), Bianca Carvalho, Morandini, Ton Rangel, Juninho Abrantes, entre muitos outros que admiro e os considero as maiores referências.

É preciso conscientizar tanto o sobrinho quanto o contratante de que um trabalho mal feito pode gerar sérios danos, comprometendo a qualidade da empresa e até mesmo mudando a forma com que ela aparece no mercado. As empresas devem procurar profissionais de qualidade dentro do que podem pagar, mas ficando fora daqueles que cobram absurdamente mais barato, pois o barato sai caro; para os sobrinhos o que eu tenho a dizer é humildade! (como assim, Muca, pirou?). Agora vem a pior parte… Tem sobrinho que, na verdade, é o profissional que não enxerga o o quanto seu trabalho e postura são defeituosos.

Por incrível que pareça, nenhum sobrinho assume ser sobrinho, mas acha que o outro que “faz feio” é! E alguns que pensam que são sobrinhos por serem novos demais, na verdade são muito melhores do que os sobrinhos que não sabem que são sobrinhos (meio confuso, mas é isso mesmo).

Então não adianta sair da faculdade e achar que porque fez 4 anos de curso superior você pode sair cobrando um absurdo por seu trabalho. Depois de se formar é que você aprende a trabalhar de verdade num mercado competitivo, instável e heterogêneo. Daí você acha que pode cobrar valores altos, não consegue, e acaba colocando a culpa disso no sobrinho, mas na verdade você não tem a receita desejada porque não possui portfólio bom o suficiente para cobrar o que almeja, logo, você também é um sobrinho, mas com diploma.

Pare de reclamar e olhe para si mesmo! O mercado existe para todos e está constantemente evoluindo e melhorando, cabe a você se encaixar. Olhe para seu trabalho e faça uma autocrítica antes de transferir culpa para outra pessoa. Quando você muda sua postura e sua forma de olhar o mundo, automaticamente ele muda para você.

Bom trabalho para todos!

 

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